quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Melodia do teu amar



Teclados dedilham notas melódicas,
E começa mais uma vez a soar nossa doce música,
O som mais singelo que aparece entre meus sonhos,
E desmancha em prazer meus desejos,
A nota mais rouca, cantada finalmente poucas vezes,
Quando sua presença comigo não se encontra.

Basta ver-te... Apenas um olhar,
E um risco límpido de sorriso põe-se em minha boca,
A desenhar-te...
E imagino os pensamentos mais loucos,
Talvez seja louca por querer-te tanto,
Que apenas em imaginar-te comigo,
Aquele sorriso estampa-se em meu rosto.

E fico tão feliz... Quando me encontro em teus abraços,
Quando sou dona de teus braços,
Que a lua ilumina-nos com força maior,
E os meus sonhos são possíveis quando tens-me
Em tuas mãos...
E quando dizes que precisas olhar em meu rosto,
E enxergar meus olhos,
Coro de vergonha e me beijas com paixão.

Pensando em teu olhar,
Desenho-te e marco teus passos no chão,
És meu amante, tirastes-me dessa solidão,
E afoga- me em teus beijos cor de mel,
 Pintado pelo castanho de teus olhos sinceros,
Tingidos com orvalhos de céu.

Teu perfume, que se enrosca em meus cabelos,
Tua boca que encosta-se a tocar meus lábios,
Arrancando mordidas cheias de libido,
Quando elogia-me, e notas as diferenças,
Quando deita-me em relva e mostra-me amar,
Nestes momentos sou tua, e assim sempre será.

Autora: M. Rocha

Felina mulher.



Completamente anestesiada,
Extasiada, numa cor louca... Desvairada.
Infinitamente excitada.
Com idéias revolucionárias.

Compreendendo meus sentidos,
Ascendendo meus instintos,
Sacrificando meus inimigos,
Servindo-os em um altar de prata.

Deitando-me sobre a mata,
Doce animal de quatro patas,
Instinto e cheiro assassino,
Badalando como sinos,
Da impetuosa fêmea, louca a desvairar.

Nadando no escuro,
Nos arrepios do frio chão duro,
Dentes com sangue,
A garota selvagem que os rangem,
Em meio a poesias e miragens,
Desaparece como sombra nas serragens.

Sou tão tua quando deseja-me...
E me visto nessa pele com cheiro de libido,
Para que sintas meus carinhos,
E me entrego como felina manhosa,
Sou o fogo puro da paixão... Completamente fogosa.

O fogo que me acalenta sobe meu corpo nu,
Dançamos lentamente,
Beija-me ardentemente,
E laçamos os olhos numa tórrida noite de amor,
Testemunhada pelo luar.

M. Rocha

Doce manipulação.


Por mais que avisem-me
E tentem tirar-me do local designado,
Olho meus medos com olhos cerrados,
Todos os sorrisos que insisto em percorrer,
Não impedem minha tristeza,
Chorar ao ser obrigada a viver.

Insisto em não acreditar,
Nas mentiras que parecem-me ser tão reais,
Luta-se por causas "justas",
Mas não seguem seus ideais.
Mas o que farei sem ter-lo?
O que digo as minhas ilusões?
O que farei quando perder-lo?
Podemos enganar nossos corações?

Somos vencedores de nossas perdas,
Criamos multidões para aplaudir-nos,
O sorriso vil que cobre meu sangue,
E a discórdia que fora plantada como semente,
Tecem ilusões límpidas,
Armam com rosas suas doces correntes,
Manipulam com sorrisos nossas mentes.

M. Rocha.

Boneca do horror.



Meu olhar se esfumaça,
Queima em nevasca,
Docemente venenoso,
Como cão raivoso,
Que espuma ao anoitecer.

Vejo as cenas passadas,
Piso em vidros nas calçadas,
E corto meu desejo de horror,
Sorrindo e sangrando de dor.

Vem comigo,
Dê-me sua mão,
Compartilhe com esta boneca fútil,
Sua sutil compaixão.

Olhe em meus olhos quebrados,
E dê-me abraços apertados,
Quero respirar sua alma,
Sugar seu sangue em toda calma.

Hoje liberto-me de todas angústias,
Toda dor desmedida,
Toda falsa mentira,
Todo Hipócrita amor.

Amanhã voltarei...
Com as frenéticas batidas,
Que arrancam deliciosas feridas,
Abertas em seu coração.

M. Rocha.

A tua espera.


Não quero assassinar teu coração,
Olhe em meus olhos...
Deixe ser levado e jamais serás o mesmo.
Jamais serás o mesmo depois de se entregar a mim.
Jamais retornará a ti,
Depois que teus delicados dedos
Entregarem-se ao meu corpo,
E sentires meu olhar percorrendo seu rosto,
Despindo de ti um sorriso louco.
Misto de amor e prazer eloqüente,
És a razão do meu amor inconseqüente.   

Leva-me embora daqui?
Afaste-me desse lugar solitário,
Tire minhas feridas,
Faça-me acreditar no teu amor?
Estenda-me tua mão...
Leve-me em teu cavalo,
Para um lugar distante.
O nosso próprio mundo
Onde o sol seja nosso sol,
Onde o luar seja nosso luar.
Estou farta de somente desejar-te,
Quero enfim pertencer-te! 

M. Rocha

Olhos de Absinto.



Dentro de mim...
Eu sinto...
Olhe em meus olhos...
E sinta minha fúria.

Sinta o calor do meu ódio,
A força do meu pensamento,
A dor com que sangro,
Todo meu sofrimento.

Sempre a mesma dor,
Sempre as mesmas flores cálidas,
Sempre a preocupação falsa,
Sempre meu semblante pálido.

Queres sentir o que sinto?
Vou te expressar,
Num toque de veneno aveludado,
De um vidro verde de Absinto.

Olhe em meus olhos,
E sinta minha dor,
O sangue corre devagar,
Fez-me desacreditar no seu amor.

Não tenho pena,
Olhe em meu rosto,
Tens medo de ver a verdade?
Um dia quebrarei seu mundo!
Tirarei dele as verdades.

O que eu sou para ti?
Sou importante ao menos um pouco?
Por que me tratas assim?
Matar-te-ei mais uma vez...
... Tirar-te-ei desse sufoco!

M. Rocha.

Terror e amor.



Deliciando-me de teu terror
De ver o medo devorar-te, 
Em teu olhar Sombrio,
Arrepios provocam em um corpo nu.
Sentir teu gosto em meus lábios doces,
Mastigar teu corpo,
Saborear-me de tua alma impávida,
Fagocitar cada milimetro do teu corpo,
Com meu olhar cortante,
E meu tom aterrorizante,
Sou aquilo que te dá medo, paixão e terror,
Para o teu desespero, alguns dizem: É amor.

M. Rocha

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O momento.



Neste momento pessoas morrem,
Pessoas nascem, pessoas correm,
Correm para não ver o tempo passar,
O tempo as engole para desaguar no mar.

Neste momento alguém se decepcionou,
Apaixonou, chorou.
Um coração quebrou,
Nesse momento alguém venda os olhos,
Para não se deparar com o que sobrou.

Neste momento pessoas passam fome,
Enquanto outros comem.
Pessoas adoecem, enquanto outras envelhecem,
Com marcas do passado acompanhadas ao seu redor.
Neste momento pessoas passam frio,
Enquanto para outras sobra o vazio
De uma triste noite só.

Neste momento animais se extinguem,
Florestas revivem, para depois morrer de dor.
Neste momento alguém ganhou um presente,
Alguém ficou ausente, um ciclo se encerrou.

Neste momento a guerra acontece,
Famílias desaparecem,
Os políticos se “esquecem” das promessas do eleitor.
Neste momento,
Onde tudo pode acabar,
Onde o finito corre para lhe abraçar,
A vida é fulgaz, viva-a com todo gás,
Que seja sua eterna sua finitude, meu caro leitor.


M. Rocha.

Cemitério dos pensamentos.



É difícil sair, quando a alma padece
Em um corpo repleto de pecados,
São dores e passado, entrando em contradição.
Arrumando os pedaços de uma dor que se corta
Não se corta mais só, sangra-se em deposição.

Entrando no mundo das almas,
Estranhado uma rara calma,
É intrigante se conhecer,
Passando noites em claro, ela adormeceu
Tentando se compreender.

Ela não pode entender a morte,
Nem como a mesma lança seus dados de sorte,
Escolhendo esgueirada quem mutilar,
Em meio a corações despedaçados,
Surtiu um efeito desejado,
Planos desfeitos de um mundo imperfeito.

A percepção da vida em todos os seus mistérios,
Ressurgem da aurora em desespero,
Nascem da sombra que a noite deixou,
Quebram-se com a ilusão que a dor passou.

O amor em muitos soa como a vida,
Em outros, entretanto apenas paixão,
No coração que brada e chora,
Resta apenas mais uma canção,
Ela apenas entendeu por fim,
Que aquilo tudo era apenas uma grande inspiração.


M. Rocha.

Flores e Plumas.



Hoje não tenho mais lágrimas,
Nem o meu próprio destino,
Não tenho mais força,
Nem caminho.

Sou uma flor tempestuosa,
Tentando achar um rumo,
Sou a espuma selvagem
Nadando de volta à pluma.

Seca meu rosto,
Preciso chorar,
Choram-me as lágrimas
Preciso gritar!

Aqui dentro, me perdi
Fora de ti me escondi
Agora não sei mais quem sou,
O que faço ou aonde vou.

Tenho flores e plumas,
Alguns poucos sorrisos de companhia,
Tenho uma mágica, uma magia,
Vou cantar para mim mesma até dormir.

E se a tempestade voltar,
Junto a ela caminhar,
Lavar meu peito que dói,
Amanhecer junto ao lado que me corrói.

Preciso gritar,
Explodir dentro de mim o que me mata,
Matar a todos os falsos que me descartam,
Apenas gritar... Hoje não quero mais.


M. Rocha.

O hoje apático



Hoje nada me convence,
Nem a poesia mais marcada,
Ou a música mais letrada,
Não me convencem mais.

Seus argumentos aos poucos se desfazem,
A poeira do tempo esmigalha o olhar,
O nada tende a me convencer mais do que o tudo,
O calor do sol tende a me explorar mais
Do que o frio do escuro.

O frescor da brisa, o alívio da maresia,
Sentada a beira nesse abismo que alguns
Chamam de vida,
Sou tentada a pular e encontrar sentido,
Estou inclinada e perder meu destino,
Preciso pular!
Preciso me entregar,
Quem sabe o que procuro esteja ali no fundo?
Ou se afundar-me quem vai dizer que é absurdo?

Hoje, somente hoje não te quero mais,
Estou afogando-me em dúvidas e desespero,
Somente hoje não quero tua boca,
Que sempre me pronuncia lindas mentiras,
Quero aquilo que perdi,
Quero de volta aquilo que entreguei a ti,
O desejo e a paixão de mim.

A apatia serve-me para recuperar o que perdi,
Hoje, somente hoje pretendo me amar,
No contínuo momento que se chama sempre,
Contido em um contínuo continuar.


M. Rocha

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Querer por quem não me quer.




Tenho um querer por que não me quer,
Tenho uma amar por quem não me deseja,
E neste desejar de um constante querer,
Morro todos os dias um pouco, por não te ter.

Quando me afogo nesse amor de lares distantes,
E me desabrigo nesse pesadelo dessas inconstantes,
Tenho por ti paixão que me corta,
Água do meu desejo que brota do fundo do teu olhar.

Tua pele qual imagino em meus sonhos,
Um beijo que não imagino apenas sinto
Em meus lábios vazios, com tons de infinito,
Tenho por ti amada, um amor e um grito.

Essa paixão que me intera, minha língua, minha fera
Deixa-me caçar-te com fugaz destreza,
Faça-se de minha luz a fada da natureza,
Seja de meu mundo a cor, seja de meu coração ardor.


Autora: Mimy  Rocha.

domingo, 16 de outubro de 2011

O desejo e o pertencer.


Queria te buscar dentro de mim,
Perdi-me dentro teu olhar,
Rasguei minha vida em busca da tua,
Permaneci no chão desolada,
Jogando absurdos a todos na rua,
Busquei tua mão que me congelava,
Busquei em mim o peito que te amava,
Cai em mim quando não te encontrei.

Queria novamente ter o prazer,
Prazer esse que me consome de vontade,
Engole-me, devora-me com vivacidade,
Basta estar acordada para te querer,
Até em sonhos sinto a ti pertencer,
Até em loucura sinto tua sanidade me enlouquecer.

Na luxúria de meus pensamentos tortos,
Paixões passam em ressoar,
Na ilusão de minhas ações loucas,
Sinto em um beijo meu corpo gritar.

Grito por ti,
Tenho sede de tua boca,
Quero tua saliva a me embriagar,
Quero teus abraços meus ossos esticar,
Desejo a magia louca de teus olhos,
Quero tuas mãos em meus seios compulsórios,
Desejo retirar de minhas lágrimas os olhos.

Quero tua vida bandida,
Louca, rouca, estopa que me corta,
Me devora, me devora!
Amarga meus sentidos com tuas vontades,
Atrai meu coração com tuas mentiras,
Quero o frio na barriga,
A delícia e dor de te encontrar,
Devora-me! Suga minha vida!
Quero ser de tua vida bandida,
A delícia e a dor de ser quem sou.

M. Rocha.