Meu olhar se esfumaça,
Queima em nevasca,
Docemente venenoso,
Como cão raivoso,
Que espuma ao anoitecer.
Vejo as cenas passadas,
Piso em vidros nas calçadas,
E corto meu desejo de horror,
Sorrindo e sangrando de dor.
Vem comigo,
Dê-me sua mão,
Compartilhe com esta boneca fútil,
Sua sutil compaixão.
Olhe em meus olhos quebrados,
E dê-me abraços apertados,
Quero respirar sua alma,
Sugar seu sangue em toda calma.
Hoje liberto-me de todas angústias,
Toda dor desmedida,
Toda falsa mentira,
Todo Hipócrita amor.
Amanhã voltarei...
Com as frenéticas batidas,
Que arrancam deliciosas feridas,
Abertas em seu coração.
M. Rocha.

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