terça-feira, 29 de novembro de 2011

O hoje apático



Hoje nada me convence,
Nem a poesia mais marcada,
Ou a música mais letrada,
Não me convencem mais.

Seus argumentos aos poucos se desfazem,
A poeira do tempo esmigalha o olhar,
O nada tende a me convencer mais do que o tudo,
O calor do sol tende a me explorar mais
Do que o frio do escuro.

O frescor da brisa, o alívio da maresia,
Sentada a beira nesse abismo que alguns
Chamam de vida,
Sou tentada a pular e encontrar sentido,
Estou inclinada e perder meu destino,
Preciso pular!
Preciso me entregar,
Quem sabe o que procuro esteja ali no fundo?
Ou se afundar-me quem vai dizer que é absurdo?

Hoje, somente hoje não te quero mais,
Estou afogando-me em dúvidas e desespero,
Somente hoje não quero tua boca,
Que sempre me pronuncia lindas mentiras,
Quero aquilo que perdi,
Quero de volta aquilo que entreguei a ti,
O desejo e a paixão de mim.

A apatia serve-me para recuperar o que perdi,
Hoje, somente hoje pretendo me amar,
No contínuo momento que se chama sempre,
Contido em um contínuo continuar.


M. Rocha

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