Em meu sossego,
Poderia permanecer assim para sempre,
Como rios em grutas perenes,
Ou correntezas em filmes de terror,
Assim em pura calma,
Navegava meu leito que deságua,
Como comédias sem tragicidade ou horror.
Calmaria demais,
Lá vem ela novamente,
Desta vez com um sorriso diferente,
Sentou-se ao meu lado a divagar soluções,
Emendou uma conversa sem sentido,
Sorriu-me tímida,
Explodindo por dentro meu coração,
Interessou-me sua futilidade singela,
Perdi meus sentidos, tudo pertencia a ela.
Abaixo do sol,
Nossos corpos se encontravam na lua,
Apesar de nunca se tocarem,
Senti seu beijo adocicado,
Seu perfume deixara-me inebriado,
O toque de suas mãos anestesiado,
Embora fosse um sonho, tivera de ser detalhado.
Sorriu-me novamente,
Desta vez em uma máxima diferente,
Era frio e estridente,
Não me tocava com seus dentes,
Não me amortecia com suas palavras,
Era fria, gélida e com mordaças,
Quem pensas que és?
Passar assim por cima meus planos,
Em cima de meu corpo, por baixo dos meus pés,
Depois não me notas? Vira-me as costas?
Volte aqui, ainda não acabei,
Não disse o que me enojas,
És uma antagônica, um ser de ilusão,
Vá, e deixe minha solução,
Não mais compartilhar nossos sonhos falsos,
Não mais sonhar nossos caminhos descalços,
Vá de uma vez e deixe minha vida,
Cuidarei dela sem ti,
Não quero de tua figura nem mesmo uma despedida.
M. Rocha

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