Eu vivo na selva... Sim, na selva,
Junto à relva de gente,
Que me persegue e domina,
Eu amanheço amarela,
Apagando a janela,
Para não contemplar,
Tive sonhos, mas pretendo não sonhar.
Nessa salva cacei, matei e comi,
Atravessaram meu caminho pequeno,
Meu leito efêmero,
Matei até quem dizia me amar,
Eu vi um servo,
Trabalhando ao gosto do capitalismo,
Vi nos olhos daqueles homens o machismo,
A luxúria e o pecado de desejar.
Matei para subir as escadas,
Tive minha alma roubada,
Vi o homem seu corpo exaltar,
Naquele dia cansado, mais uma vez fui roubado,
E assisti passivo, minha vida esgotar.
M. Rocha

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