O tempo que me engole,
É o mesmo tempo que me cospe,
O tempo que me para,
É o mesmo que me amarra.
Prendei-vos aos laços do tempo!
Junto às tempestades e alentos,
Correi-vos os olhos sobre a fadiga,
Amenizai-vos o nó que lhe corta a vida.
Hoje acordei com vontade de viver...
Pois o tempo me come com voracidade,
Sem pedir licença,
E antes de penetrar meu ser,
Por favor, Oh Senhor Tempo... Deixa-me
viver,
Deixa-me saborear cada gota,
Desses sonhos impossíveis, arder nesta pele
morta,
Destes dias indivisíveis.
Prometa-me a juventude de teus enganos,
Descobre-meus planos... Atira-me no
desespero,
Frente ao espelho quero envelhecer,
Mas enquanto isso... Aquieta-te,
Deixa-me viver!
Dê-me tempo, oh relógio,
Dê-me caos e alento,
Afoga-me em um rio de lágrimas e
felicidade,
Arranca de meu peito, tuas vaidades.
M. Rocha.
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