sexta-feira, 27 de julho de 2012


Sentei-me a beira mar dos sentimentos nostálgicos,
E na ilusão sem perceber,
Escutei a música que soava-me ao longe ...
Tão terna que fazia-me viajar aos tempos em que fora feliz,
Quando tinha o que queria, nada era infeliz,
E as fotos de meu passado insinuavam-se em meus olhos,
Mostrando-me fatos e histórias, sorrisos e memórias.

Aquelas fotos tão apagadas, manchadas pelo tempo,
Fotos roubadas que tragaram minha infância,
E transformam-me nesse novo ser,
Indaguei a vida, e esse meu novo viver,
Perguntei ao tempo “por que tens que correr”?

E a música tão suave que meus ouvidos acompanhavam,
Era tão suave quanto memorável,
E as lembranças deixaram-me um vestígio de lágrima,
Que com o passar das fotos percorreram meu rosto nu,
Desaguaram em minha alma, selvagem e crua,
Nadando em meu seio para de meu sonho despertar.

Momentos, ah! Momentos... Loucos, tontos, poucos...
Muitos que fizeram-me chorar,
Não percebi estar acordada, mas fui me deitar,
E sonhar com os momentos felizes que tive,
Desafios que passei desatino a não descrever,
E o amargo da vida, Prefiro não reconhecer.
O doce de meus sonhos sempre irá reviver.



Autora: M. Rocha

Objetos Modernos


Vejo as pessoas sendo coisificadas,
Pelos repúdios da sociedade,
Seu perfume impregna minha alma,
Volupiando deliciosamente imagens retorcidas,
Que trazem a tona mensagens subliminares.

Pobres mortais,
Que deliciam-se dos prazeres carnais,
E cometem erros inexoráveis,
E alegam ser normais,
Prendendo-se nas loucuras mais doces,
Futilidades banais.

Presos em seus carros,
Respirando poluição,
Infectando a alma,
Apodrecendo seus pulmões.

Cavam buracos,
Onde um dia serão enterrados,
Mortos, trucidados!
Por suas próprias escavações,
Pelejando por tecnologias,
Utilizando a mente,
Enquanto o capitalismo domina,
Com sua sangrenta mão fria.

Constroem casulos,
E permanecem em suas instalações,
Sem perceber que se atiram,
E se trancam...
Em suas próprias armadilhas em 3 dimensões.

O valor do mundo moderno
É não ter valor algum,
É fazer planos e não concluir-los,
É esvair-se em ganância,
É ter olhos vazados,
Pela beleza do dinheiro.

Estes homens
Acabam-se tornando em “coisas”,
Bonecos nas mãos dos que condenam o futuro,
Se não tomam atitudes injustas,
Permanecem falhos,
Objetivados a criar muros e castelos
Invisíveis,
Permanecem sendo coisas... Divisíveis.

Autora: M. Rocha

Famintos




Veja ali ao seu lado,
Os vestígios de uma pessoa
Que caminha ao relento, 
Faminta...
Veja!
Não vende os olhos pra realidade,
Encare de peito aberto
Dê na fome um tiro incerto.

Há pessoas passando fome,
E não está tão longe,
Está aqui,
Impregnado nos laços,
Entregue as traças,
A misericórdia que nunca vêm
A ajuda que não se retêm.

O governo que nunca vê a solução,
A esperar com barriga e coração,
Pela força que nunca virá,
Brasil, terra maravilhosa,
Essa gente sofre ardilosa!
Esse povo quer comida,
Está cansado de tantas feridas!

Brasil!
Chega de ver nossas crianças ao relento,
Pegar traços imundos jogados pelo vento,
Em montantes de lixos,
Tratados como bichos,
Onde está a escola?
Onde está o futuro?
Chega de egoísmo,
De ficar em cima do muro!

Estamos tão longe,
Porém nem tão distante,
Nossa história retrocede
Pelas desigualdades,
Tem gente em sua porta
Pedindo-te comida,
Não vire-lhe as costas,
Nem saia em desmedida.

Olhe esses traços no chão,
Deixe-se invadir pela compaixão,
Faça orgulho de si,
Ajude o próximo,
Faça valer o que bate em seu peito...
Seu coração!

M. Rocha

Deixa-me errar



Por que és assim?
Vives a desconfiar de mim,
Vives a desconfiar de minhas verdades,
Vives a desconfiar de minhas vontades,
Ás vezes canso-me de você,
De tentar te entender,
Tento me achar em você,
Tento achar a realidade que nos cerca,
Ás vezes me pergunto-me
 Se ao fizer-lo estou certa.

Gosto de ti com loucura
E isto de falo com a mais pura ternura,
Não me esqueci de nosso
Primeiro encontro,
Primeiras palavras,
Primeiros gestos.

Mas com o tempo algo
Percebi...
Ao passo que tentas se apossar de mim,
Tentas me impedir de errar,
Mais serei mais fraca e burra
Se ora não tentar.
Sei que as desilusões amorosas virão
E sei que és dono de uma parte de meu coração,
Mas ás vezes sufoca-me com tanta pressão.

M. Rocha

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Quando eu for de mim... Serei tua.



Quando eu for de mim... Serei tua.
Queres minha boca,
Mas, podes ter meus beijos,
Queres meu corpo,
Mas podes ter meus desejos,
Queres meus sussurros,
Mas podes ter minha respiração.

Tudo queres, tudo tens,
Dentro de meus sentimentos,
Tudo explode em meu peito,
Deságua devagar, sem jeito,
Faz-me enrubescer o rosto,
Cora minha vida com teu gosto.

Quero tudo, nada tenho,
Desejo o calor de tuas palavras,
Anseio o pulsar do teu coração,
Necessito do toque de tua pele,
E onde estiveres... Leva-me contigo?
Aqui, em teu olhar... Façamos abrigo!

Tome, minha vida!
Vamos valsar! Essa é a nossa canção,
Um brinde? Uma solução,
Aos poucos os corpos falam por si,
Delimitados pela poesia,
Partituras a sorrir,
Venha comigo, vamos partir!
Vou embora de mim,
Para pertencer somente a ti.

M. Rocha. 

Ópera do desejo



És maestro do meu corpo,
Estamos em uma sintonia,
Em plena alegria,
Estamos conectados,
Estamos aqui.
Estais aqui, dentro de mim,
Posso sentir, quero que me sintas também.

Tenho o teu calor,
Eu sou o ardor,
O calor que reflete na copa das árvores,
Queima meu corpo com teu toque,
Já nem estou mais aqui,
Só quero apenas te sentir,
Meu maestro, meu doce sorrir.

Minha intensificação da dor,
Fúria de m’ alma, meu rancor,
Quero com o passar dos dias,
Descobrir teu sabor,
Como o raio das manhãs
Revelar teu amor,
Tal qual cheiro das maçãs.

Sinto teu gosto em meus lábios,
Tuas mordidas, teus escárnios,
Tua língua em minha pele,
Meu gosto tão seu...
Minha roupa suada,
Mãos marcadas,
Trêmulas do que aconteceu.

M. Rocha.

Um quase sossego



Em meu sossego,
Poderia permanecer assim para sempre,
Como rios em grutas perenes,
Ou correntezas em filmes de terror,
Assim em pura calma,
Navegava meu leito que deságua,
Como comédias sem tragicidade ou horror.

Calmaria demais,
Lá vem ela novamente,
Desta vez com um sorriso diferente,
Sentou-se ao meu lado a divagar soluções,
Emendou uma conversa sem sentido,
Sorriu-me tímida,
Explodindo por dentro meu coração,
Interessou-me sua futilidade singela,
Perdi meus sentidos, tudo pertencia a ela.

Abaixo do sol,
Nossos corpos se encontravam na lua,
Apesar de nunca se tocarem,
Senti seu beijo adocicado,
Seu perfume deixara-me inebriado,
O toque de suas mãos anestesiado,
Embora fosse um sonho, tivera de ser detalhado.

Sorriu-me novamente,
Desta vez em uma máxima diferente,
Era frio e estridente,
Não me tocava com seus dentes,
Não me amortecia com suas palavras,
Era fria, gélida e com mordaças,
Quem pensas que és?
Passar assim por cima meus planos,
Em cima de meu corpo, por baixo dos meus pés,
Depois não me notas? Vira-me as costas?

Volte aqui, ainda não acabei,
Não disse o que me enojas,
És uma antagônica, um ser de ilusão,
Vá, e deixe minha solução,
Não mais compartilhar nossos sonhos falsos,
Não mais sonhar nossos caminhos descalços,
Vá de uma vez e deixe minha vida,
Cuidarei dela sem ti,
Não quero de tua figura nem mesmo uma despedida.

M. Rocha

Linhas de angústia




Dia nublado
Corpo gelado
Noite sem luar,
Vida vazia,
Coração sem amar.
Confusão,
Respostas sem solução,
Corações em orgulho,
No peito um furo.
Começo de sofrer,
Será minha vida,
Se não tiver você.
Nó na garganta,
Sufocando a planta,
Que existia em mim.
Lágrimas rolam,
Desenhos desbotam,
Rosto sem figuração,
Lágrimas no chão.
Beijos se desintegram,
A rosa incolor,
A fuga sem remédio,
Gosto amargo da dor.
O peito dilata,
Flores sem pétalas,
Dia fugaz,
Sem cores, sem paz.
Tabuas do tempo,
Queimam em relento,
Digam-me respostas,
Tirem-me os pesos das costas,
Angústia,
Não posso suportar,
Penumbra,
Que se assola no mar.
Tempos difíceis,
Amores se vão,
Levem consigo,
Minha alma, e coração.

Autora: M. Rocha

O senhor tempo




O tempo que me engole,
É o mesmo tempo que me cospe,
O tempo que me para,
É o mesmo que me amarra.
Prendei-vos aos laços do tempo!
Junto às tempestades e alentos,
Correi-vos os olhos sobre a fadiga,
Amenizai-vos o nó que lhe corta a vida.

Hoje acordei com vontade de viver...
Pois o tempo me come com voracidade,
Sem pedir licença,
E antes de penetrar meu ser,
Por favor, Oh Senhor Tempo... Deixa-me viver,
Deixa-me saborear cada gota,
Desses sonhos impossíveis, arder nesta pele morta,
Destes dias indivisíveis.

Prometa-me a juventude de teus enganos,
Descobre-meus planos... Atira-me no desespero,
Frente ao espelho quero envelhecer,
Mas enquanto isso...  Aquieta-te,
Deixa-me viver!
Dê-me tempo, oh relógio,
Dê-me caos e alento,
Afoga-me em um rio de lágrimas e felicidade,
Arranca de meu peito, tuas vaidades.

M. Rocha.

Encontros e Momentos


Anoiteceu...
Aqui olhando as estrelas,
Sua presença efêmera junto a minha,
Os beijos inigualáveis,
Pareciam ser infindáveis,
Traziam deliciosamente sorrisos a mim.

Tua presença ali estática,
Trazia em si um brilho natural,
Pela lua embalsamada,
Olhar patético e estigmatizado,
Sorria-me calado,
Sem jeito, sem defeitos, apenas parado.

Em um tom quase perfeito,
Intrigada por sua doçura e devaneio,
Ouvi atenta uma melodia ressoar,
Percebi pelo brilho em teus olhos,
Uma gostosa sensação de amar.

Dê-me teu carinho e atenção,
Dou-te minha vida,
Minha paixão desmedida,
Sou metade sem ti, sem teu amor,
Ainda sinto teus olhos a me perseguir,
Sinto ainda teus beijos de ternura,
Os arrepios que me cobrem o corpo,
Teus assovios roucos,
Arrancando sussurros de nossos encontros.


M. Rocha.


Dias de Selva





Eu vivo na selva... Sim, na selva,
Junto à relva de gente,
Que me persegue e domina,
Eu amanheço amarela,
Apagando a janela,
Para não contemplar,
Tive sonhos, mas pretendo não sonhar.

Nessa salva cacei, matei e comi,
Atravessaram meu caminho pequeno,
Meu leito efêmero,
Matei até quem dizia me amar,

Eu vi um servo,
Trabalhando ao gosto do capitalismo,
Vi nos olhos daqueles homens o machismo,
A luxúria e o pecado de desejar.

Matei para subir as escadas,
Tive minha alma roubada,
Vi o homem seu corpo exaltar,
Naquele dia cansado, mais uma vez fui roubado,
E assisti passivo, minha vida esgotar.

M. Rocha

Estranhos desconhecidos



Éramos dois estranhos,
Estranhos que se conheciam,
Estranhos que se amavam,
Uma espécie de amor,
Mais estranho que a ausência,
Um tipo diferenciado, bruto, desconhecido,
Estranho de anos vividos.

Estávamos ali os dois,
Com as mãos dadas ao destino,
Estávamos vivos o mundo,
Mortos, um para o outro,

Éramos dois estranhos,
Estranhos que se conheciam,
Costurávamos nossos sonhos,
Tricotávamos conversas,
E no final de tudo...
Nenhuma palavra, nenhuma peça.

Meu estranho... Um dia tão meu,
Não me olha nos olhos,
Nem um beijo me deu,
Morreu em minhas mãos e não em minha boca,
Tua ausência presente,
Tornava-me louca,
Tua estranheza trazia-me desconforto,
Tua ausência fazia de tua presença um morto.

M. Rocha.

Desejos inconscientes



Desejos e desejos, inconscientes, conscientes?
Quem deseja o que se quer,
Imagina-se rasgando os pedaços,
De um muro a qual se quebra,
Para interpretarmos nossos sonhos e embaraços.

Os sonhos que nos intrigam,
São os mesmos que nos desarmam,
Os abraços que não nos são lícitos,
Quebrantam nossas emoções sonoras.

São meus sonhos a quem interpelo,
Desalinhos em quem me esmero,
Soluços em meio à madrugada,
Dos pesadelos a porta de entrada,
Do meu inconsciente inquieto.

Quem deseja sonhar mais do que viver,
Sem o inconsciente querer conhecer,
Permanece sem vida e estático,
Sem avalia... Dentre sonhos inválidos.


M. Rocha. 

Ela e o Samba






Ciranda dos meus olhos,
Menina dos cachos perfeitos,
Mostre a mim nesta roda de samba,
A fogueira dos teus defeitos,
Impetuosa, cheia de pensamentos,
Oh menina de meus olhos,
Quanto tempo temos?

Quero contigo dançar,
Não, nada de amor... Só valsar,
Quero tua pele morena,
Teu corpo pequeno,
Em meus cabelos enroscar,
Ah! Menina vem dançar!
Tua saia rodada em meio ao salão,
Sorriso aberto em tua boca nua,
O sabor de carne que me dobra de tão crua!

Menina teu cheiro me embriaga,
Teu corpo junto ao meu cavalga,
Nesta dança de sensualidade e fervor,
Nesta roda de samba que exala ardor,
Ela sabe encantar, sim sabe seduzir...
Ela me tem nas mãos e sabe reproduzir,
Utiliza-se dessa possessão,
Dança comigo, minha menina,
Faremos deste castelo, nosso salão.


M. Rocha