sábado, 21 de janeiro de 2012

Marasmo cotidiano



Estou cansada desse tédio,
Esse fardo que me consome,
Esse tempo lento que escorre
Em meus dedos,
Esta vida fatídica que não passa,
Pelas drogas consumidas sem remédios.

Não vejo meu rosto percorrer o vento,
Vejo o marasmo engolir-me em relento,
Sinto náuseas ao acordar e ver o dia,
Pessoas sorrindo em completa hipocrisia.

Nem tentar fazer,
Nada mais pra dizer...
São sempre as mesmas palavras, mesmos rostos,
Mesmas decepções... Mesmos desgostos.
Vidas controladas, marcadas, vazias, furadas!

O tempo controlado,
Pela fábrica que constroem e moldam pessoas,
O trabalho cotidiano
Que enlouquecem minha voz rouca...
Os olhos fechados pelo marasmo cotidiano,
A noite revela ambiciosos planos...

Não sinto vontade de nada,
Nem medo de nada dessa tal evolução...
Então vem comigo!
Vamos sorrir sem motivo,
Sem perceber os sórdidos perigos,
O ódio e inveja que nos cerca,
Sermos presos pela teia da vingança cega.

Vamos nos proteger
Dos que rondam nossas casas,
Aprisionar-nos em gaiolas,
Vamos nos algemar em nossos quintais,
Presos a terra, com gosto de sangue dos militares.

Vamos costurar nossas bocas,
Para evitar falar de política, ou religião,
Vamos nos jogar ao nada... Permanecer ao chão,
Prenda suas mãos em correntes onde
Não há chaves disponíveis,
Permaneça nessa vida sem cor,
Num tom de miseráveis terríveis.

Autora: M. Rocha

Nenhum comentário:

Postar um comentário