sábado, 21 de janeiro de 2012

Reflexão ao fim da tarde.



No fim da tarde
Pus-me a escrever·
Pensando na vida,
Pensando em você.
  
Abri as janelas
Pra ver o tempo passar
Escrevendo sobre coisas
Que um dia ouviria falar.

Penso na vida que é tão bela.
Penso nas flores que desabrocham
E as borboletas juntas delas.

Olho para o pôr-do-sol,
Que se esconde em seu véu dourado,
E pouco a pouco vem à nuvem o
Cobrindo tudo com sua noite estrelada.

A lua surge.
E com ela um pensamento,
Nas coisas mais simples
A poesia encontra seu alimento, 

À tarde gostosa que se vai
Deixa o vento sussurrar,
A noite que se aproxima
Nos deleites de amor ficará.


Autora: M. Rocha

Lembranças de um dia.



Lembro-me agora do teu sorriso,
De todos os momentos que passamos juntos,
Lembro-me de todos os abraços dados,
Lembro-me da chuva a cair sobre nossos rostos,
Lembro-me do sol secando nossas lágrimas,
Lembro-me das músicas que escutei e lembrei-me te ti.

 A saudade me apertou com as lembranças,
E nada mais sobrou do que um nó na garganta,
O vento não sopra como antigamente,
Pensamentos me levam até você,
E as lágrimas escorrem sobre minha face triste.

Só quero voltar no tempo,
E me entregar a esta nostalgia que me consome,
Concertar o tempo incerto,
E fazer com que as brigas transformem-se em alegrias,
Hoje estou só...
E lembro-me de você...
É fácil falar de novos planos... Mas ainda não acabei os
Que começamos juntos.

Todas as fantasias de ser para sempre...
Iludindo-nos em acreditar,
Que realmente seria...
Mas os sempre não existe,
E a partida é dura de encarar,
Só restam as lembranças boas...
As tristes... Guardo-as no mar.
Tão frias e nostálgicas...
Minhas mãos guardam no tempo
O que não pretendo esquecer jamais.

Somente quero levar dessa vida,
As lembranças mais fortes e queridas,
Pretendo guardar no fundo dos meus olhos,
As imagens que me fizeram feliz,
No fundo do meu coração,
Os cheiros que lembram-me a infância,
Mas pretendo esquecer,
Os fáceis conflitos da adolescência,
Não pretendo recordar-me...
Apenas esquecer.


Autora: M. Rocha

Memórias de uma mente assassina



Olhos cobertos de horror,
Rostos desfigurados,
Bocas entreabertas,
Ao ver os corpos estirados...

Um estalo...
Um corpo vai ao chão,
Uma arma e seu sangue,
Vejo o poder em minhas mãos.

Ninguém entende minha mente,
Nos meus olhos o sofrer eloqüente,
Mataram-me por dentro como eles...
Nada diferente!

Aperto o gatilho,
E líquido com a vida de quem me
Desprezou!
De quem negou-me atenção,
Um abraço, um carinho, seu coração.

Nada mais importa,
Piso de pés descalços no frio chão,
Sentado aos lados dos corpos,
Cobertos de mutilação.

Vejam minha mente assassina...
O que tive que fazer para me notarem,
Sua a noticia do momento,
Ator principal...
Aplaudam!
Este é o show da vida real!

Protejam seus filhos,
Troquem-nos de lugar,
Comecem os escárnios,
Comecem a me crucificar!

Só um abraço,
Uma palavra amena,
Necessito de amor... Não de pena!
Nunca tive amigos,
E como vingança sutil...
Fiz de um mundo meu inimigo!

Autora: M. Rocha

Musa da sensualidade



Passando em meio á seus sonhos,
Viu ela... O que lhe tornou risonho,
Tão linda, intocada, sensual,
Noites de luar,
Á pentear seus cabelos,
Seus olhos refletiam em água,
Como o de doces espelhos.


Passou por ele,
Uma escultura divina,
Via em si pobre fraco,
Da alma masculina,
O perfume que exalava
De seu doce e despido corpo,
Deixava-o sem voz,
Num tom aos poucos rouco.


Olhou lhe fixamente,
Explodindo seus esboços perfeitos,
Cobrindo por todo rosto,
Aquele seu riso sem jeito,
Assim daquela forma,
Linda e sensual,
Brilhara mais que púrpuras
Em noite de carnaval.


De repente o sonho se foi,
Tão linda e sensual,
Viu que era então ilusão,
Das que teve sem igual,
Percebeu sua realidade,
Doce e fria,
Queria rever sua momentânea musa,
Antes que queimasse em porfia.


Seu coração que ardia em desejo
Por possuir seu bem de sedução
Palpitava todo seu ser,
Excitava seu coração,
Mas a linda musa se foi,
Deixando-o perplexo...
Caindo desiludido no chão.

Autora: M. Rocha

Marasmo cotidiano



Estou cansada desse tédio,
Esse fardo que me consome,
Esse tempo lento que escorre
Em meus dedos,
Esta vida fatídica que não passa,
Pelas drogas consumidas sem remédios.

Não vejo meu rosto percorrer o vento,
Vejo o marasmo engolir-me em relento,
Sinto náuseas ao acordar e ver o dia,
Pessoas sorrindo em completa hipocrisia.

Nem tentar fazer,
Nada mais pra dizer...
São sempre as mesmas palavras, mesmos rostos,
Mesmas decepções... Mesmos desgostos.
Vidas controladas, marcadas, vazias, furadas!

O tempo controlado,
Pela fábrica que constroem e moldam pessoas,
O trabalho cotidiano
Que enlouquecem minha voz rouca...
Os olhos fechados pelo marasmo cotidiano,
A noite revela ambiciosos planos...

Não sinto vontade de nada,
Nem medo de nada dessa tal evolução...
Então vem comigo!
Vamos sorrir sem motivo,
Sem perceber os sórdidos perigos,
O ódio e inveja que nos cerca,
Sermos presos pela teia da vingança cega.

Vamos nos proteger
Dos que rondam nossas casas,
Aprisionar-nos em gaiolas,
Vamos nos algemar em nossos quintais,
Presos a terra, com gosto de sangue dos militares.

Vamos costurar nossas bocas,
Para evitar falar de política, ou religião,
Vamos nos jogar ao nada... Permanecer ao chão,
Prenda suas mãos em correntes onde
Não há chaves disponíveis,
Permaneça nessa vida sem cor,
Num tom de miseráveis terríveis.

Autora: M. Rocha

Flor de m' alma



Flor doce, que me cobre com tua doçura,
Amor que transborda de tua cobertura,
Delicadeza que me emana de tuas pétalas,
És flor e bela, misteriosa em tuas esferas.

És inspiração de minhas doces poesias,
És magnânima de minhas imaginações frias,
Rainha suprema de meu pequeno ser,
Com tua doçura conquistas as unhas do meu viverr.

Me comes com teu olhar,
Um olhar de tríplice magia,
Me afogas e faz respirar,
Dentro do teu seio que expele alegria.

Arque doçura em contraste com meus desejos,
Se dou-te um beijo imaginável,
Em teus braços sou tragada,
E novamente afogo-me em teu olhar.

Em noites escuras, em loucas desilusões,
Novamente abristes a porta do teu coração,
Desejo entrar e fazer morada,
Ceia e brinde comigo. Oh! minha doce amada.

M. Rocha 

Regurgitar de um ninho.



Tenho nojo dessa lama em meus pés,
Esse cabeçalho de idéias que descem até as ralés,
Essa vontade de regurgitar ao pensar,
Que de onde estou pior não pode ficar.

Gritar! Não posso gritar!
Queria somente me afastar disso tudo,
Essa lama fétida chamada “amor”,
Esse rancor disfarçado que clama de dor.
São prantos, que o ancião sábio não enxerga,
São falsidades pronunciadas em tamanhas tabelas.

Acordo no chão,
Tapo mais uma vez meus olhos para o perdão,
Não, não quero mais tuas mentiras,
Nem tuas vãs filosofias,
És hipócrita como aquilo que cultivas,
Podre por dentro, cheira mal!
Tenho nojo de tua fisionomia de animal.

Não percebes?
Sou grande graças a tua falsidade,
Sou perante tua figura, celebridade.
Tua irresponsabilidade constitui-me animalesca,
 Tua presença transborda-me apatia,
Um grande abraço em minha família,
Que sempre deixou-me confortável em minha solidão.

M. Rocha

Cotidiano Imperfeito


Acordo...
Da noite me recordo,
Componho...
Do frio me recomponho.

Mas um dia... Para se fingir,
Mais uma pessoa para atingir,
Coloco o pó que mascara,
As marcas de tristeza,
Dou bom dia à falsidade,
E sento-me a mesa.

Abro os braços,
Cá estou de volta aos embaraços,
Olhando o céu sem respostas,
Da pergunta que não fiz
Em frente à porta!

O dia é corrido,
Cheio de perturbações,
Muito ódio guardado,
Em pequenos e cegos corações.

Os sorrisos amarelos,
Que se estalam no rosto azedo,
A ficção de terror,
Correspondido pelo medo.

Já é tarde...
E ainda não consegui voltar,
Pro fundo da minha alma,
Onde desejo repousar.

Ainda não contemplei
Sorrisos sinceros,
Amigos verdadeiros,
Por quem sempre espero.

O dia finda...
A noite vem sem pudor,
Deliberando a alma,
Tirando-lhe a dor.

Fecho os olhos,
Descanso em meu leito,
Mais um dia se foi,
Em meu cotidiano imperfeito!

Autora: M. Rocha

Diário dos tolos



Muitas pessoas,
Nenhum espaço,
Muitos soluços,
Nenhum abraço.

O ódio consome,
A beleza se come,
O belo é cultivado,
O feio é mutilado.

A razão enche o coração
De soberba,
A agonia toma conta do pudor,
Esquecem-se das suas vidas,
Matam o amor!

Esquecem-se dos carinhos,
Atiram-se em espinhos,
Machucam as rosas,
Sangram seus caminhos.

Agonizam o ser,
Sufocam o viver,
Prendem-se ao passado,
Atiram-se no frio desolado.

Muitos fazem isto,
E até sem perceber,
Muitos apenas repetem,
Por ter imenso prazer!

Mútuos!
Em silêncios gritantes!
Peitos cálidos que gritam verdades,
Caladas e bravejantes!

Sim!Muitos
Não poucos!
Disfarçam a maldade,
Mas não sendo tolos!

Não compreendem
O sentido de assim ser,
Somente levam aos pedaços,
Essa maneira errônea de viver!

Autora: M. Rocha

Declínio de amor



Um dia em teus olhos
Vi meu coração,
Prazer que refilava em minha alma,
Implorando pela doce paixão,
Alcançava as nuvens em vôos fáceis,
Inalados pelo teu cheiro de amor.


E não importa onde estiveres...
Meu calor vai te alcançar,
Vai te levar minha ternura,
Vai te desejar...
E onde os ventos soprarem,
Ao longínquo e terno tempo,
Estarei á teu lado,
Sempre á postos á te guardar.


Não importa se as lutas chegarem,
A me fazer desistir,
Sei que fui feita pra você,
E você foi feito só pra mim.
E por mais que o tempo separe-nos
E nos atire na indecisão,
Sei, tu és só meu,
Sou dona de teu coração.


Autora: M. Rocha.

O Encontro.



Foi assim...
Quando menos imaginei,
Estive a contemplar,
Tua presença efêmera,
Que dizias me amar.

A delícia de teus beijos,
Em que pude navegar,
A loucura de teus carinhos,
Que me faziam delirar.

Aquele momento,
Que esperei tanto em ter,
Regado pela luz da lua cheia,
Que enegrecia de prazer.

Ali a observar a paisagem,
Que nascera da noite estrelada,
Olhei em teus olhos,
E vi-me amada.

Se pudesse ter naquele momento,
Uma caixinha de vidros,
Guardar-te-ia dentro,
E te esconderia em meu coração.

Se pudesses contemplar,
As batidas de meu coração,
Se pudesses suportar
Meu amor em tuas mãos,
Saberias que por te ter ali,
Morreria feliz!

Se pudesses entender,
O porquê de meus sorrisos,
Meus vôos em pensamentos
Inalcançáveis, 
Fique em silêncio, venha amar!

M. Rocha 

Ah, o amor.



Ser de minhas inspirações mais profundas,
Tiras-me do profundo da alma,
Põe-me a amar-te,
Com um simples beijo posso calar-te,
Fazer-te de escravo e meus anseios,
Fazer-te parte de minhas loucuras e devaneios.


Amor de ser inconstante,
Tão impávido em sua essência,
Em presença tão distante,
Olho as margens do rio procurar-te,
Não acho-te em homem algum,
Não posso a outro amar,
Somente a ti e tua presença efêmera,
Somente tuas palavras em noite serena.


És muso de minhas poesias mais profundas,
Navegando em mar obscuro,
De águas nebulosas,
Deixo entregar-me ao amor,
Que deixa-me descoberta,
Á pensar noites e noites,
Entre as janelas descobertas,
Pensando em tua presença,
Que não tive o prazer de pertencer,
Esperando a chance de dizer,
O quanto quero você.


Tu... Que és mais que companheiro,
És amigo,
És verdadeiro...
És ser de meu grande apreço,
Amizade esta que não poderia ser comprada,
Por nenhum preço,
Que somente a divida da eternidade,
Poderia saldar,
Por que espero com fascínio,
Quando quiser me amar.


Não há distância... Nem impedimento,
Não há força... Nem julgamento,
Não há ódio... Nem rancor,
Não há luxúria nem dor,
Só há o mais puro e vívido sentimento,
O mais simples e cristalino
Alguns o chamam de amor.                                                        

Autora: M. Rocha.

Amor improvável.



Seus corpos não os mesmos
Os beijos os mais estranhos,
Casal improvável: Ela morta, ele sanguinário.
Um tempo que se esgota entre os dedos,
Um amor que se brota entre os medos,
Ela morta e fria, sente o cheiro do seu amado.
Ele semi-imortal onde a noite geme-lhe arrepios.

Uma valsa de amor,
Onde os corpos mortos e semi-vivo dançam,
Entrelaçam pensamentos e desejos,
Matam de inveja os humanos em segredos,
Ela entreolha seu amado para possuir sua alma,
Ele olhou-a com sorrisos a mastigar seu pescoço com calma.

Um amor improvável,
A beleza morta de uma zumbi,
Seu coração enegrecido a ele entregou,
Cortando-lhe a garganta o impetuoso vampiro
Agradeceu de bom tom.
Apaixonados em uma valsa interminável,
Ora desejam fagocitar um ao outro,
Oras os corpos perplexos não mais falam,
Apenas agem pelos instintos que os guiam,
Moldados pela sedução que se seguia.

Adorável tempo em um castelo assombrado,
Corpos suados de amor e prazer,
Ela entregou-se com sensualidade ao seu querer,
Ele tomou por suas mãos frias e mortas,
Decifrando cada tom de seu corpo,
Uma taça de vinho fresco para relaxar,
Um pouco de carne humana para sua amada se alimentar.

Ao passo que se passa em dias ensolarados,
A amada espera ansiosa pelas noites,
Seu amado desperta com fome de açoites,
Caçam e velejam pelo luar,
Ele protege-a com sua vida semi-morta,
Ela ama-lhe com seu olhar,
Amor improvável, em um tom indecifrável,
Valsam pela noite fazendo dos mortais seus escravos.

M. Rocha

Ausência e solução



Corta-me com tua ausência,
Encontro-te dentre as linhas dos meus braços,
Adoro o som que faz tuas letras,
Ao retornar em meus laços,
Sorrisos desfeitos,
Coração pulsante... És meu luar.

O relógio tique taqueando sem razão,
Olhos fixos no próximo encontro,
Uma solução: Olhar tua imagem estática,
Minha tristeza apática vem amenizar a dor.

As músicas que me rodeiam,
Meu coração incendeia,
Já não sinto os pés no chão,
Compartilho com meu coração,
A falta que me fazes,
Quando retornares ainda pensarei em ti.

Sorriso de menina,
Cheiro que me alucina,
O que fazes aqui dentro?
Quase explodes meu peito,
Deleita-te em teu leito,
Fazes morada dentro de mim.

Na vitrine dos meus olhos,
Do impulso para o meu sonho de gelo,
Sinto carinho em segredo,
Revela-me teu medo,
Escondo-me dentre teus dedos,
Acaricia-me devagar,
Vamos navegar! Seja meu capitão... Meu amar.

M. Rocha

Sonho terno



És meu sonho e disso estou certa,
O ser que me cobre por completo,
Transforma-me em algo bom,
Um sonho perfeito sem devaneios e som,
Somente tua boca remexer ao longe,
Os sonhos que se movem dentro de mim,
São direcionados exclusivamente a ti.

Meu belo sonho,
De tão belo és irreal, de tão real,
És sincero... Ser a quem anos espero,
Almejo teus carinhos mais ternos,
Teus invisíveis beijos eternos.
A sensibilidade de tua língua passear em meu corpo,
Sim, sei um devaneio louco,
Mas os devaneios podem transformar a realidade.

Ah quero observar-te dormir,
Ninar-te com carinho e delicadeza
Fruto de minha ternura,
Faça teus cabelos moradia de minha beleza,
Pretendo sentir o cheiro do teu corpo,
Dá-me de tua alegria um pouco,
Compartilhe comigo tua felicidade,
Tira minha sanidade,
Conforta minhas vontades
Deite-se ao meu lado, e sonha comigo
Entra em meu coração e construa seu abrigo.
                                                    

M. Rocha

Tua presença



Desde que me aparecestes,
Componho com freqüência,
Risca-se tua imagem em meu pensamento
Risco-te no papel para contemplar tua essência.

O que fazes comigo?
És um perigo! Tens um luar e ando contigo,
Escrito em meu olhar,
Tenho um acesso em um ressoar.

A cada suspiro... Meu coração pula, dança, gesticula.
Não entendia a doença do amor,
Para o qual me mostrastes a cura
Segura-me em tuas mãos, dá-me tua doçura.

Um misto de saudosismo e dor,
É o que me causas enquanto embora for,
Estarei com nossa frase, sempre pensando em ti,
Construindo poesias que fazem-me te sentir.

Teus olhos, corpo e pele,
 Maciez de tua tez singela,
Ai me queima, me incendeia os sonhos,
Cobre-me com teu jeito risonho.


M. Rocha