"Todos os dias ouço a mesma canção,
Embaladas pela mesma lágrima em nexo de acomoção,
Do que mais sinto falta? Do coração nefelibata,
Que me suprime em delírios,
Levanta-me da cama em suspiros,
Dos quais afogo pesadelos que não posso acordar.
Lembras da moçidade?
A eterna vaidade, o doce rebelar das moças,
Em papel de conquista... Exuberantes em revistas,
Mal podia-se contar com a maquiagem,
Que queimavam em vaidade,
No fogo da percepção, éramos a força em ação.
Hoje com recordações saudosas,
Avantes e magestosas,
Aquela música eloquente traga meu caminho,
Já não posso segurar as lágrimas,
Sentada a beira do destino,
Onde envelheço, e amadureço olhando o tempo,
Onde vamos parar?
Na vida não há onde se chegar.
As histórias que minhas mãos calejadas contam,
São marcas do que nunca se foi,
A tristeza de ser abandonada,
Em saber que um dia lhe dei a vida
E agora desfilho tristemente,
Relembrando com lágrimas sobre o tricô,
O passado que é presente no que me restou.
Aqui... Sozinha... Eu e meu passado.
De mãos dadas ao destino,
Quebrando as asas do meu sonho de passarinho,
Que já não pode mais voar...
Esperando a morte... O tempo passar,
Sempre na angústia de esperar por esperar...
Pois já não sou o que era,
Nem posso mudar o que sou,
Já é tarde, muito tarde... O passado é o que restou".
M. Rocha

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