terça-feira, 29 de novembro de 2011

O momento.



Neste momento pessoas morrem,
Pessoas nascem, pessoas correm,
Correm para não ver o tempo passar,
O tempo as engole para desaguar no mar.

Neste momento alguém se decepcionou,
Apaixonou, chorou.
Um coração quebrou,
Nesse momento alguém venda os olhos,
Para não se deparar com o que sobrou.

Neste momento pessoas passam fome,
Enquanto outros comem.
Pessoas adoecem, enquanto outras envelhecem,
Com marcas do passado acompanhadas ao seu redor.
Neste momento pessoas passam frio,
Enquanto para outras sobra o vazio
De uma triste noite só.

Neste momento animais se extinguem,
Florestas revivem, para depois morrer de dor.
Neste momento alguém ganhou um presente,
Alguém ficou ausente, um ciclo se encerrou.

Neste momento a guerra acontece,
Famílias desaparecem,
Os políticos se “esquecem” das promessas do eleitor.
Neste momento,
Onde tudo pode acabar,
Onde o finito corre para lhe abraçar,
A vida é fulgaz, viva-a com todo gás,
Que seja sua eterna sua finitude, meu caro leitor.


M. Rocha.

Cemitério dos pensamentos.



É difícil sair, quando a alma padece
Em um corpo repleto de pecados,
São dores e passado, entrando em contradição.
Arrumando os pedaços de uma dor que se corta
Não se corta mais só, sangra-se em deposição.

Entrando no mundo das almas,
Estranhado uma rara calma,
É intrigante se conhecer,
Passando noites em claro, ela adormeceu
Tentando se compreender.

Ela não pode entender a morte,
Nem como a mesma lança seus dados de sorte,
Escolhendo esgueirada quem mutilar,
Em meio a corações despedaçados,
Surtiu um efeito desejado,
Planos desfeitos de um mundo imperfeito.

A percepção da vida em todos os seus mistérios,
Ressurgem da aurora em desespero,
Nascem da sombra que a noite deixou,
Quebram-se com a ilusão que a dor passou.

O amor em muitos soa como a vida,
Em outros, entretanto apenas paixão,
No coração que brada e chora,
Resta apenas mais uma canção,
Ela apenas entendeu por fim,
Que aquilo tudo era apenas uma grande inspiração.


M. Rocha.

Flores e Plumas.



Hoje não tenho mais lágrimas,
Nem o meu próprio destino,
Não tenho mais força,
Nem caminho.

Sou uma flor tempestuosa,
Tentando achar um rumo,
Sou a espuma selvagem
Nadando de volta à pluma.

Seca meu rosto,
Preciso chorar,
Choram-me as lágrimas
Preciso gritar!

Aqui dentro, me perdi
Fora de ti me escondi
Agora não sei mais quem sou,
O que faço ou aonde vou.

Tenho flores e plumas,
Alguns poucos sorrisos de companhia,
Tenho uma mágica, uma magia,
Vou cantar para mim mesma até dormir.

E se a tempestade voltar,
Junto a ela caminhar,
Lavar meu peito que dói,
Amanhecer junto ao lado que me corrói.

Preciso gritar,
Explodir dentro de mim o que me mata,
Matar a todos os falsos que me descartam,
Apenas gritar... Hoje não quero mais.


M. Rocha.

O hoje apático



Hoje nada me convence,
Nem a poesia mais marcada,
Ou a música mais letrada,
Não me convencem mais.

Seus argumentos aos poucos se desfazem,
A poeira do tempo esmigalha o olhar,
O nada tende a me convencer mais do que o tudo,
O calor do sol tende a me explorar mais
Do que o frio do escuro.

O frescor da brisa, o alívio da maresia,
Sentada a beira nesse abismo que alguns
Chamam de vida,
Sou tentada a pular e encontrar sentido,
Estou inclinada e perder meu destino,
Preciso pular!
Preciso me entregar,
Quem sabe o que procuro esteja ali no fundo?
Ou se afundar-me quem vai dizer que é absurdo?

Hoje, somente hoje não te quero mais,
Estou afogando-me em dúvidas e desespero,
Somente hoje não quero tua boca,
Que sempre me pronuncia lindas mentiras,
Quero aquilo que perdi,
Quero de volta aquilo que entreguei a ti,
O desejo e a paixão de mim.

A apatia serve-me para recuperar o que perdi,
Hoje, somente hoje pretendo me amar,
No contínuo momento que se chama sempre,
Contido em um contínuo continuar.


M. Rocha

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Querer por quem não me quer.




Tenho um querer por que não me quer,
Tenho uma amar por quem não me deseja,
E neste desejar de um constante querer,
Morro todos os dias um pouco, por não te ter.

Quando me afogo nesse amor de lares distantes,
E me desabrigo nesse pesadelo dessas inconstantes,
Tenho por ti paixão que me corta,
Água do meu desejo que brota do fundo do teu olhar.

Tua pele qual imagino em meus sonhos,
Um beijo que não imagino apenas sinto
Em meus lábios vazios, com tons de infinito,
Tenho por ti amada, um amor e um grito.

Essa paixão que me intera, minha língua, minha fera
Deixa-me caçar-te com fugaz destreza,
Faça-se de minha luz a fada da natureza,
Seja de meu mundo a cor, seja de meu coração ardor.


Autora: Mimy  Rocha.