segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dama Viajante.

"Foi assim...
Quando a vi pela segunda vez,
Riscou-se de mim sua imagem pequena,
Resplandeceu seu lindo rosto ao entardecer,
Ela me tomou por seus braços,
Prendeu-me em seus abraços,
E finalmente morri em seus beijos de cor amena.

Lentamente morri naquele momento,
Como balão elegante de oxigênio,
A voar pelo tempo,
Carregando sua armadura graciosa,
Sendo sugado e cuspido pelo vento,
Em rumores e polvorosa.

Minha... Por poucos minutos,
Foi o suficiente para meus lábios,
Rasgarem sorrisos,
Ela me deu sua mão e me levou para dentro,
Do seu paraíso,
Seu corpo ardia em chamas,
Amei-a cada segundo, entrando pela manhã,
Quando percebi, nada vi,
Havia me deixado em um fúnebre partir.

Ela me tinha, e mais ninguém,
Mal percebi quando se afastou,
Sendo levada pelo trem,
O lenço doce e perfumado,
Que minha dama tinha como refém,
Soltou-se de sua mão, 
Levou consigo meu coração,
E a eternidade de meus sonhos em pulsão".

M. Rocha

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Outono ou semi-verão.

"Queria sentir o segundo...
Mas, cada segundo que passa,
A vida retorna mais sem graça,
O ócio é um consórcio mal feito,
Nesses ventos loucos, de mares rarefeitos.

Não vamos manchar a poesia,
Ela é linda, amável, e fria.
O outono a cobre com folhas,
Que a primavera deixou de recordação,
No relógio marca-se verão,
Horário quente da próxima estação.

Se para me encontrar,
Tiver que te perder,
Viverei sem identidade,
Com a vida voltada para você,
Para viver contigo,
Abri mão do meu sorriso,
Abdiquei minha liberdade,
E ela me prendeu em você,
Afinal, para todos...
Amar...
É ter liberdade para se prender".

M. Rocha

Infeliz, Feliz, Corações, Emoções.

"Te sinto, te preciso...
Apenas mais uma palavra,
Dada em meus lábios como dádiva,
Cortando salivas e soluços,
Ao ser pronunciado,
O amor pronuinciado!
Como uma peça teatral,
Bailando dentre mortos, oh! Carnaval!
Vim esvoaçante,
De perigos e amores, apenas instante.

Quem é o amor?
Apenas o conhece, quem alia-se a dor?
A mistura sangrenta 
De mil corpos em decomposição,
Ou o sorriso sincero de uma mutilação?
Quebrados, são corpos, corpos!
Pessoas! Pessoas?
Onde tudo é efêmero... 
Poderia gozar de suas satisfações,
Mas, tenho... O mais infeliz dos corações".

M. Rocha

Sonhos, pesadelos e versos.

"Sem tuas mãos eu sinto,
Meu corpo desaparecer...
Aqueço a vida com palavras fúteis,
Que mantém meu corpo inato,
Navegando em meio ao caos,
Respirando pelo espírito de liberdade,
Até sugar minha última gota de esperança.

É só tua figura amena,
Que faz meu coração pequeno,
Pulsar dentre um peito escondido,
Absorver todas as raízes do meu pensamento,
Que encontram teu corpo macio,
Preciso saborear tua carne em cada abraço,
E salivar sorrisos presos em laços.

É o último pedido,
A redenção total,
A fuga para a câmara de gás,
Do nosso pesadelo imortal,
Segure minhas mãos geladas,
E diga-me que não é um sonho,
Hoje é apenas mais um, 
Dentre os meus pesadelos tristonhos".

M. Rocha

Mil motivos


Como se eu pudesse...
E só pudesse... Em meio ao nada,
Ser chamada de tudo,
E ao me compartilhar, 
Nessa eterna partilha de não partilhar...
Me partilho em mil pedaços,
E me dissolvo em mil quebrantos,
Tais reações são versos 
E não simplesmente cantos.

Eu sou um nada,
Perto do tudo,
Eu sou a dor...
No calor do escuro.

Eu preciso sobreviver, 
Sim! Eu vou sobreviver,
Talvez por amá-lo,
É que eu me dissolvo,
E me envolvo de novo,
Nestas mil luas de um luar.

Mil setas dos ventos,
A rosa louca do tempo...
...Morreu...
De tanto insistir em amar.

Passo tempos desenhando o amor em cor,
Rastreando a beleza do perfume em amor,
És o gesto da vida em pura emoção,
És o lírico da rosa que desbota em um coração.






 M. Rocha