Eu tento impedir o ódio,
Mas esse ódio me venera,
De veneno minha boca se enche,
Como cobra na espreita, a espera.
Um lindo animal
A cravar seus dentes perenes,
Causando-lhe a morte lentamente.
Morte repleta de dor,
Retorcendo-lhe o corpo,
Espumando-lhe a boca,
Os sentidos aguçados,
Num tom gradiente mascarado,
O sangue percorrendo seus olhos mortos,
Cortando de agonia, secos e tortos.
Vivemos nessa selva,
Um mata o outro come,
Permanecendo nessa rotina,
Um embala o outro consome,
Os sentimentos são para fracos,
O amor pros imbecis,
São tolos os que acreditam,
Que precisam de amor para ser feliz.
Somos caças humanas,
Humilhados na boca de leopardos,
Somos presas fáceis dos mais ágeis,
E mira certa de um sagaz caçador.
É nessa selva que caçamos,
Matamos pelo prazer da caça,
Sem cor, sem sabor, sem graça,
Competindo e correndo contra o tempo,
Expelindo e cravando veneno,
Restam-nos perguntas irracionais...
Somos animais racionais?
Autora: M. Rocha

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