sexta-feira, 16 de março de 2012

Naturalismo social



Eu tento impedir o ódio,
Mas esse ódio me venera,
De veneno minha boca se enche,
Como cobra na espreita, a espera.
Um lindo animal
A cravar seus dentes perenes,
Causando-lhe a morte lentamente.

Morte repleta de dor,
Retorcendo-lhe o corpo,
Espumando-lhe a boca,
Os sentidos aguçados,
Num tom gradiente mascarado,
O sangue percorrendo seus olhos mortos,
Cortando de agonia, secos e tortos.

Vivemos nessa selva,
Um mata o outro come,
Permanecendo nessa rotina,
Um embala o outro consome,
Os sentimentos são para fracos,
O amor pros imbecis,
São tolos os que acreditam,
Que precisam de amor para ser feliz.

Somos caças humanas,
Humilhados na boca de leopardos,
Somos presas fáceis dos mais ágeis,
E mira certa de um sagaz caçador.

É nessa selva que caçamos,
Matamos pelo prazer da caça,
Sem cor, sem sabor, sem graça,
Competindo e correndo contra o tempo,
Expelindo e cravando veneno,
Restam-nos perguntas irracionais...
Somos animais racionais?

Autora: M. Rocha

Teu jeito, tão meu.




Ah teu sorriso, ele me come e nem percebo,
Cobre-me e nem resisto mais,
Abriga-me dentro dos teus dentes,
Fico estática, patética a te observar.


Teu sorriso gostoso, teu olhar de jeito manhoso,
Cobre-me de felicidade até afogar,
Quando percebo novamente lá...
Nada tenho a fazer a não ser me entregar.


Tenho de bom, o que conquistei de ti
O dom da magia, amor em explosões,
Expande-se nas maçãs do rosto
Palpitam e sambam-se os corações.


Como o calor do fogo,
Sinto teu sopro em meus cabelos,
Acostumada com teus anseios,
Obedeço tua voz sem receios.


Aquele abraço, aquele beijo,
Aquela loucura por tua presença, teus desejos,
Acostumamos as mãos dadas,
Carinhos de um colo que por ti brada.


Lembro-me de ti,
Dos momentos bons, risonhos, sons,
Quanto certo é meu amor, devoção,
É a certeza de pertencer a ti por inteiro... Meu coração.


Mimy Rocha.

Um gostoso gostar.



Adoro ouvir tua voz de madrugada,
E a maneira como se preocupas comigo,


Adoro ouvir teus conselhos de amigo,
Adoro ser tua e chamar-te: MEU.
Adoro passear na rua, que crua inveja nosso olhar.
O som dos passos parecem dançar,
Os pássaros cantam a encantar.


Gosto da maneira como me faz de tua,
Teu gosto de lua, teu sabor de mar,
Meu sangue ferve em tua presença,
E na minha crença estou a te vangloriar.
Pernas tremulas, coração que salta,
Tuas mãos entre as minhas que atam e desatam.


Versando e cantando neste quarto escuro,
Sou tua! Te juro! És meu? Promete-me o mundo!
Tenha em tuas mãos meus cabelos,
E que teu nariz sugue meu cheiro,
Dentro de mim deságüe tua vida,
Dentro do meu corpo morra todo um dia um pouco,
Faz morada de minha alma, atira-me no sufoco.


Vestido rodado para te agradar,
Tuas palavras me comem sem falar,
Teu silêncio faz-me rir em sobressaltar,
As maças do rosto enrubescem ao me beijar,
Teu encontro, teu olhar,
Até a maneira como me discutes sem pensar,
Teu abraço a fim de me proteger,
Adoro tudo em ti, desde a tarde até o amanhecer.




Autora: Mimy Rocha