domingo, 16 de outubro de 2011

O desejo e o pertencer.


Queria te buscar dentro de mim,
Perdi-me dentro teu olhar,
Rasguei minha vida em busca da tua,
Permaneci no chão desolada,
Jogando absurdos a todos na rua,
Busquei tua mão que me congelava,
Busquei em mim o peito que te amava,
Cai em mim quando não te encontrei.

Queria novamente ter o prazer,
Prazer esse que me consome de vontade,
Engole-me, devora-me com vivacidade,
Basta estar acordada para te querer,
Até em sonhos sinto a ti pertencer,
Até em loucura sinto tua sanidade me enlouquecer.

Na luxúria de meus pensamentos tortos,
Paixões passam em ressoar,
Na ilusão de minhas ações loucas,
Sinto em um beijo meu corpo gritar.

Grito por ti,
Tenho sede de tua boca,
Quero tua saliva a me embriagar,
Quero teus abraços meus ossos esticar,
Desejo a magia louca de teus olhos,
Quero tuas mãos em meus seios compulsórios,
Desejo retirar de minhas lágrimas os olhos.

Quero tua vida bandida,
Louca, rouca, estopa que me corta,
Me devora, me devora!
Amarga meus sentidos com tuas vontades,
Atrai meu coração com tuas mentiras,
Quero o frio na barriga,
A delícia e dor de te encontrar,
Devora-me! Suga minha vida!
Quero ser de tua vida bandida,
A delícia e a dor de ser quem sou.

M. Rocha.

Aquele que amei.



É tão estranho,
Tua indiferença fria,
Tua mão vazia que me acaricia,
Não sinto mais teu amar.

É sem sentido,
Quando sinto teu sentido,
Acaricias o meu vestido,
E me valsas no ar.

Sim, é diferente,
O que acontece entre a gente,
Já nem sei dizer,
Sinto teu corpo, mas com ele não mais prazer.

Tua figura estática,
Tua cara patética,
Teu resto de ser.

Hoje não és mais quem amei,
Hoje somente és o ser a qual suportei,
É tão estranho ainda te olhar,
Nada mais nos resta, somente separar.

Ao sair fecha a porta,
Deixa-a meio torta,
Para se um dia quiseres voltar.

Mas, se voltares para mim
Traga-me flores de carmim,
Traga-me o mundo, um jardim.
Traga-me de volta
Aquele homem que tanto amei.

M. Rocha

Desejos ardentes


Entro no quarto,  
Janelas entreabertas, luzes estranhas,
Tenho a manha, me assanha, me arranha
Derrete-me com o teu olhar
Tuas unhas destilam veneno,
Um doce veneno apaixonante,
Angustia meu corpo e mente
Minha boca se contorce em te acariciar.

Tenho mil desejos em minhas mãos,
Esgueirando minha língua em repetição
Entro no quarto, te jogo no chão,
Teu corpo é a delícia de anjos em corporação,
Quero tua loucura insana, tua boca profana,
Teus olhos cor de vinho,
Tua língua em delírio,
Afogando-me dentro de ti.

Na penumbra em meio à noite,
Com teus chicotes de açoite
Sorriso malicioso a me observar,
Deparo-me com teu beijo,
Ascendeu-me tamanho desejo,
Que me entreguei ao teu corpo
Sem pestanejar.

Corrompe-me com teu olhar,
Tira meu fôlego, preciso te sentir,
A fúria do teu chicote,
Minhas costas partir,
Devora-me, me assola, me enrola
Atira-me no abismo do teu corpo,
Enrola-me e me transforma louco
Invade-me e me modifica em teu,
Atiça-me perdendo em desespero.

Amando, enlouquecendo,
Tenho teu corpo em minhas mãos
Embebedo-me de cada gota de tua saliva,
Tenho tua alma em minha vida,
Meu corpo em transição,
Somos um vulcão em erupção,
És minha dona,
Sensualidade, desejo, sensação
O enigma perfeito de nossa paixão.



 Autora: M. Rocha
Para B.